
Olá, amigos internautas!
O Blog está às vespéras de completar 1 ano de vida!
Congratulations!
Como já havia escrito em outras postagens, criei este espaço para aperfeiçoar a habilidade de produção textual, discutir assuntos cotidianos que julgo relevantes, relatar experiências literárias e, principalmente, entabular diálogo com o meu "eu-lírico" (expressão que caracteriza o emissor da mensagem na estrutura do texto poético). Redigir uma postagem tem sobre mim efeito terapêutico. O hábito da leitura nos torna exímios na arte de concatenar as idéias e torná-las palpáveis através de sua transmutação em palavras. Idealizei o Blog no dia 25 de dezembro de 2007, mas acabei deixando-o quietinho, pois não sabia que linha editorial seguir. Resolvi optar por uma miscelânea de temáticas, apesar de, inicialmente, pensá-lo como "laboratório" da minha faculdade de Letras, propondo discussões sobre gramática, literatura e Língua Inlesa.
O espaço virtual tornou-se o meu confessionário! Obviamente, não sou tão desequilibrado a ponto de registrar aqui os ditos segredos inconfessáveis, embora seja possível ler nas linhas e entrelinhas dos textos publicados, a postura de alguém que não mais admite permanecer sobre o muro frente a questões delicadas.
Viver é um ato político!
MUDANDO O RUMO DA PROSA...
Impresssionante, como não conseguimos andar pelas ruas do centro de Bauru sem sermos abordados por alguém que nos peça esmola. Sim, eu me compadeço da situação degradante destes seres humanos, que não tem o que comer, vestir, calçar e, muitas vezes, um teto... mas é a realidade nua e crua de um sistema político, social e ecônomico que não sabe o que fazer com os seus excluídos, deixando-os à margem da sociedade, à mercê de suas mazelas. O jeito é dar alguns vinténs para tentar aplacar a fome de um estômago que está acostumado a ser maltratado pelo vazio.
Discursos socialistas à parte, é preciso diferenciar os DESAFORTUNADOS dos MALANDROS.
Certa vez, às 5 da manhã, na rua Monsenhor Claro, esperando o primeiro ônibus para Agudos, fui supreendido por um jovem casal. Semblantes abatidos, cabelos desgrenhados, maltrapilhos.
- Bom dia, senhor! - cumprimentou o rapaz, cheio de cerimônias, mãos dadas com a moça. - Pode me dar um minuto de sua atenção?
VÃO ME PEDIR DINHEIRO! - pensei eu, visivelmente incomodado com a situação. Sei, como ninguém, fazer aquela expressão de poucos amigos. Caprichei! Eles notaram, mas não se intimidaram, pois certamente confiavam no poder da boa argumentação.
Respondi que sim, poderiam ter um minuto da minha atenção.
O rapaz, com voz melodiosa, começou a ladainha:
- A minha mãe, senhor... - fez uma pausa estratégica, como se a emoção o estivesse impedindo de prosseguir. - expulsou a minha esposa de casa! Não aceitei a situação, pegamos as nossas coisas e estamos vagando pelas ruas desde ontém, pedindo a colaboração das pessoas para conseguirmos comer. A minha mãe não gosta da minha esposa, senhor. Não gosta!
E EU COM ISSO, CIDADÃO? - comecei a refletir com os meus botões.
Olhei para a moça, que aparentava ter pouca idade, talvez vinte anos. Ela não sustentou o olhar, abaixou a cabeça. Não estava envergonhada, mas parecia maquinar os pensamentos. Notei que apertou com força a mão do marido, como se quisesse recriminá-lo pela inverossímel história que me contava.
- O senhor me desculpa, caso eu esteja incomodando - pediu, humildemente. - Mas não volto a morar com a minha mãe.
NÃO ENTENDI NADA DAQUELE DESABAFO!
Ele se tornou um sem teto por opção. De acordo com o que me dizia, a mãe o aceitava, mas não tolerava a moça. Que a alojasse na casa dos pais dela, se fosse o caso. Até conseguir trabalho. São raciocínios que não exteriorizei por não querer prolongar a conversa.
- Se o senhor puder me ajudar com R$0.50...
Não sabia o que dizer. A situação era tão estapafúrdia, que não quis dar continuidade ao colóquio. Tirei R$20.00 do bolso.
EPA, EPA, EPA... Eu só tinha aquele dinheiro!
DEI UM SORRISO SARCÁSTICO! mas juro que sem a intenção de fazê-lo.
- Você vai me desculpar - disse eu, cínico. - Mas não tenho troco!
O casal, sem se despedir, virou as costas e foi-se... FILHO DA PUTA! - ouvi o rapaz dizer, assim que virou a esquina.
Tive receio que voltasse, mas com a intenção de me assaltar. O meu medo era infundado, pois estes malandros não usam a força bruta. Preferem substituir o revólver pela diplomacia.
O ônibus estacionou, logo estaria em Agudos.
Casos da vida real, que se ajustam perfeitamente à ficção. Volto a repetir: é preciso diferenciar os desafortunados dos malandros.
See you soon!
Congratulations!
Como já havia escrito em outras postagens, criei este espaço para aperfeiçoar a habilidade de produção textual, discutir assuntos cotidianos que julgo relevantes, relatar experiências literárias e, principalmente, entabular diálogo com o meu "eu-lírico" (expressão que caracteriza o emissor da mensagem na estrutura do texto poético). Redigir uma postagem tem sobre mim efeito terapêutico. O hábito da leitura nos torna exímios na arte de concatenar as idéias e torná-las palpáveis através de sua transmutação em palavras. Idealizei o Blog no dia 25 de dezembro de 2007, mas acabei deixando-o quietinho, pois não sabia que linha editorial seguir. Resolvi optar por uma miscelânea de temáticas, apesar de, inicialmente, pensá-lo como "laboratório" da minha faculdade de Letras, propondo discussões sobre gramática, literatura e Língua Inlesa.
O espaço virtual tornou-se o meu confessionário! Obviamente, não sou tão desequilibrado a ponto de registrar aqui os ditos segredos inconfessáveis, embora seja possível ler nas linhas e entrelinhas dos textos publicados, a postura de alguém que não mais admite permanecer sobre o muro frente a questões delicadas.
Viver é um ato político!
MUDANDO O RUMO DA PROSA...
Impresssionante, como não conseguimos andar pelas ruas do centro de Bauru sem sermos abordados por alguém que nos peça esmola. Sim, eu me compadeço da situação degradante destes seres humanos, que não tem o que comer, vestir, calçar e, muitas vezes, um teto... mas é a realidade nua e crua de um sistema político, social e ecônomico que não sabe o que fazer com os seus excluídos, deixando-os à margem da sociedade, à mercê de suas mazelas. O jeito é dar alguns vinténs para tentar aplacar a fome de um estômago que está acostumado a ser maltratado pelo vazio.
Discursos socialistas à parte, é preciso diferenciar os DESAFORTUNADOS dos MALANDROS.
Certa vez, às 5 da manhã, na rua Monsenhor Claro, esperando o primeiro ônibus para Agudos, fui supreendido por um jovem casal. Semblantes abatidos, cabelos desgrenhados, maltrapilhos.
- Bom dia, senhor! - cumprimentou o rapaz, cheio de cerimônias, mãos dadas com a moça. - Pode me dar um minuto de sua atenção?
VÃO ME PEDIR DINHEIRO! - pensei eu, visivelmente incomodado com a situação. Sei, como ninguém, fazer aquela expressão de poucos amigos. Caprichei! Eles notaram, mas não se intimidaram, pois certamente confiavam no poder da boa argumentação.
Respondi que sim, poderiam ter um minuto da minha atenção.
O rapaz, com voz melodiosa, começou a ladainha:
- A minha mãe, senhor... - fez uma pausa estratégica, como se a emoção o estivesse impedindo de prosseguir. - expulsou a minha esposa de casa! Não aceitei a situação, pegamos as nossas coisas e estamos vagando pelas ruas desde ontém, pedindo a colaboração das pessoas para conseguirmos comer. A minha mãe não gosta da minha esposa, senhor. Não gosta!
E EU COM ISSO, CIDADÃO? - comecei a refletir com os meus botões.
Olhei para a moça, que aparentava ter pouca idade, talvez vinte anos. Ela não sustentou o olhar, abaixou a cabeça. Não estava envergonhada, mas parecia maquinar os pensamentos. Notei que apertou com força a mão do marido, como se quisesse recriminá-lo pela inverossímel história que me contava.
- O senhor me desculpa, caso eu esteja incomodando - pediu, humildemente. - Mas não volto a morar com a minha mãe.
NÃO ENTENDI NADA DAQUELE DESABAFO!
Ele se tornou um sem teto por opção. De acordo com o que me dizia, a mãe o aceitava, mas não tolerava a moça. Que a alojasse na casa dos pais dela, se fosse o caso. Até conseguir trabalho. São raciocínios que não exteriorizei por não querer prolongar a conversa.
- Se o senhor puder me ajudar com R$0.50...
Não sabia o que dizer. A situação era tão estapafúrdia, que não quis dar continuidade ao colóquio. Tirei R$20.00 do bolso.
EPA, EPA, EPA... Eu só tinha aquele dinheiro!
DEI UM SORRISO SARCÁSTICO! mas juro que sem a intenção de fazê-lo.
- Você vai me desculpar - disse eu, cínico. - Mas não tenho troco!
O casal, sem se despedir, virou as costas e foi-se... FILHO DA PUTA! - ouvi o rapaz dizer, assim que virou a esquina.
Tive receio que voltasse, mas com a intenção de me assaltar. O meu medo era infundado, pois estes malandros não usam a força bruta. Preferem substituir o revólver pela diplomacia.
O ônibus estacionou, logo estaria em Agudos.
Casos da vida real, que se ajustam perfeitamente à ficção. Volto a repetir: é preciso diferenciar os desafortunados dos malandros.
See you soon!

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